Sofia Vasconcelos Nunes

IEAC-GO, CH-ULisboa, GEO/DPC/CML

Póster

«Homo Faber-Homo Laudans: as mãos em/de Rodin

«Homo Faber-Homo Laudans»: the hands in/of Rodin

 

Sofia Vasconcelos Nunes, é Licenciada e Mestre em Teologia, pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP-Lisboa). É Doutorada em História, na especialidade de História e Cultura das Religiões, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). É associada e investigadora do IEAC-GO, investigadora integrada no CH-UL, e investigadora no GEO/DPC/CML, enquanto Téc. Superior de Teologia desta edilidade. A sua linha de investigação tem-se orientado em torno da Antropotanatologia, dos Ritos e Cultos Funerários nas várias tradições religiosas da antiguidade e contemporaneidade, da Soteriologia e Escatologia, das diversas cosmovisões e cosmogonias, em suma, da relação humana com a vida, com a morte e com a divindade.

 

 

Resumo

As mãos são, na obra do artista-escultor August Rodin – que nasceu em França em meados de oitocentos e aí morreu na segunda década do século passado -, um dos elementos cuja representação figurativa manifesta e «instala um mundo», de forma indelével, com a «consagração e glorificação» (segundo as expressões heideggerianas), da Criação (do Homem).

As mãos do Homem, tantas vezes retratadas e resgatadas da pedra pelo homem artista, são um hino ao Criador e à humanidade criada e criadora, seja quando são um elemento de um todo, como é o caso do Pensador ou de Adão, ou seja quando são o centro da obra esculpida, como acontece com a Catedral, a Mão de Deus ou a Mão do Diabo.

Cada uma destas mãos (as do artista e/ou as da obra esculpida) manifesta, reproduz, conta, através da linguagem que lhe é própria, e conforme afirmou Gregório de Nissa em A criação do Homem, «a visão e o conhecimento».

Na criação artística, o sopro invisível que a inspira reflete-se e desvela-se de modo misterioso na obra de arte. Se a observação do mundo, através do uso dos sentidos, é fundamental no processo criador, a contemplação orante, que usa os sentidos interiores numa «liturgia muda» (conforme disse Edith Stein), bebe dessa fons amoris presente ab initio na divina obra criada, e confere, à obra de arte, a sua essência perene.

Assim, as mãos de/em Rodin são simultaneamente um ato humano criador e um permanente hino de louvor a Deus, onde a capacidade criadora/transformadora do homo faber se une ao encantamento e deslumbramento do homo laudans.

 

Abstract

In the work of the artist-sculptor August Rodin – born in France in the mid-1800s and died in the second decade of the last century – the hands are one of the elements whose figurative representation manifests and «installs a world» in an indelible way, with the «consecration and glorification» (according to heideggerian expressions) of Creation (of Man). The hands of Man, so often portrayed and retrieved from the stone by the artist, are a hymn to the Creator and to created and creating humanity, whether they are an element of a whole, as in the case of the «Thinker» or «Adam», or when they are the centre of the sculpted work, as in the case of the «Cathedral», the «Hand of God» or the «Hand of the Devil». Each of these hands (those of the artist and/or those of the sculpted work) manifests, reproduces, tells, through the language that is its own, and as Gregory of Nyssa said in «The Creation of Man», «the vision and knowledge». In artistic creation, the invisible breath that inspires it is reflected and revealed in a mysterious way in the work of art. If the observation of the world, through the use of the senses, is fundamental to the creative process, prayerful contemplation, which uses the inner senses in a «silent liturgy» (as Edith Stein said), drinks from that «fons amoris» present «ab initio» in the divine created work, and gives the work of art its perennial essence.

In this way, the hands of/on Rodin, are both a creative human act and a permanent hymn of praise to God, where the creative/transformative capacity of «homo faber» joins the enchantment and wonder of «homo laudans».

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